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1. Introdução
As práticas de poda e condução da macieira são fundamentais na formação inicial e na longevidade das plantas, influindo diretamente no crescimento e na produtividade do pomar (Ebert & Raasch, 1988). O sistema de condução das plantas de macieira objetiva maximizar a produção e a qualidade dos frutos de maçãs através de um formato padrão para as copas das plantas.
Assim, ao longo dos anos de cultivo da macieira, com a intensificação do conhecimento da fisiologia vegetal e o melhoramento vegetal de porta-enxertos, vários sistemas de condução para a macieira foram estabelecidos nas regiões produtoras de maçã.
Atualmente, com a introdução de porta-enxertos mais ananizantes nos pomares comerciais, as macieiras são conduzidas em líder central e suas modificações (Pereira & Petri, 2006).
Geralmente, a formação da copa é mais rápida em porta-enxertos anões e mais demorada para os porta-enxertos vigorosos, pois o espaçamento entre plantas é maior para este grupo.
Alguns sistemas de condução podem ser utilizados para plantios em baixa, média e alta densidade de plantas (Figura 1), mas outros são específicos à densidade de plantio.
Figura 1. Líder central com formato piramidal, base larga para baixa densidade de plantas (esquerda) e base estreita para média e alta densidade de plantas (direita).
2. Sistemas de condução de plantas
A poda e condução das plantas de macieira dependem do sistema de condução planejado para a planta (líder central, centrífuga, vaso palmeta, vaso moderno, vertical axis, “slender spindle”, “v trellis”, “cordon”, “pillar”, “spindle bush”, etc.) e da densidade de plantas do pomar (baixa, média e alta densidade).
A formação do eixo central na qual estão distribuídos os ramos produtivos caracteriza o sistema de condução em líder central. A entrada de luz no interior da copa e nas partes inferiores da planta e a não permitir a formação de ramos vigorosos na parte superior da planta são fundamentais na condução em líder central (Pereira & Petri, 2006).
Segundo Tsuneta (1988), entre as várias formas existentes, a mais preconizada nos pomares paranaenses é a piramidal, com variações conforme o espaçamento, cultivar e tipo de exploração (intensiva ou extensiva).
3. Poda e condução da macieira
São as práticas executadas nas plantas de macieira, principalmente na parte aérea, tais como abertura dos ramos novos, arqueamento dos ramos, desponte de ramos, objetivando interferir no desenvolvimento vegetativo (enfraquecer e/ou induzir o crescimento) para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos de maçã ao longo da vida útil do pomar.
3.1. A poda e condução proporcionam os seguintes benefícios:
- melhora a entrada de luz no interior da copa da planta;
- evita a alternância de produção;
- melhora a qualidade do fruto;
- renova os órgãos de frutificação;
- reduz o custo operacional do raleio de frutos;
- facilita o tratamento fitossanitário.
4. Objetivos da poda e condução:
Os objetivos da poda e condução diferem para cada estádio de desenvolvimento da planta (Figura 2).
Figura 2. Os diversos estádios de crescimento das plantas de macieira para a formação de uma planta adulta.
Formação de um pomar de macieira com porta-enxerto anão (Japão):
- Plantas novas (do primeiro ao terceiro ano): formar o líder central e o máximo de ramos secundários e terciários.
- Plantas intermediárias (do quarto ao quinto ano): dar o formato desejado a planta (Figura 3).
Figura 3. Sistema de condução em “vertical axis” (esquerda) e líder central (direita).
- Plantas adultas (a partir do sexto ano): evitar o enfraquecimento da planta.
5. Intensidade da poda
A intensidade da poda depende, principalmente, do vigor do porta-enxerto (porta-enxerto anão, semi-vigoroso e vigoroso). E, outros fatores devem ser considerados como a fertilidade do solo, profundidade do solo, retenção de umidade, as adubações realizadas, região de plantio (preferencial, recomendado e marginal), característica do cultivar [hábito de crescimento (ereto) e hábito de frutificação (spur)], qualidade do fruto (coloração, tamanho médio do fruto e incidência de distúrbios fisiológicos), produtividade do pomar (baixa, média, alta) e alternância de produção, etc.
Segundo Tsuneta (1988), quanto mais vigirosa tanto maior o número de gemas ou ramos produtivos a serem conservados. Inversamente, nos ramos e plantas debilitadas, a poda deve ser vigorosa, encurtando ou eliminando ramos.
5.1. Diagnóstico do vigor da planta
“Em função do vigor observada na planta, variam as intensidades dos cortes e arqueamento dos ramos”.
- As plantas fracas apresentam as seguintes características: emissão de ramos curtos, frutos pequenos, ausência de ramos ladrões, ausência de ramos com segundo crescimento, planta com casca avermelhada e formação de gemas fracas.
- As plantas vigorosas apresentam: emissão de ramos compridos, planta com ramos ladrões, presença de ramos com segundo crescimento e baixa coloração dos frutos.
5.2. Influência do porta-enxerto no desenvolvimento da planta e na intensidade da poda das plantas
Os porta-enxertos anões de macieira (M 9 e M 26) apresentam precocidade de produção e pouco desenvolvimento vegetativo (Tabela 1).
Tabela 1. Influência dos vários porta-enxertos no desenvolvimento do cultivar Benitama (planta com 10 anos). Estação Experimental de Fruticultura - Morioka - Showa 50.
Porta-enxerto Tronco Altura Largura Total de ramos podados
M 9
M 26
M 7
MM 106
Marubakaido 20,7 cm
30,0
35,3
40,1
42,5 2,7 m
3,8
4,5
5,2
4,5 2,9 m
3,9
4,4
5,0
5,2 0,9 kg
3,0
5,4
12,9
15,1
Fonte: adaptado de Yoshida & Kawajima (1982).
6. Sugestões de como podar uma planta adulta
As podas são realizadas em duas épocas, durante o período de dormência da macieira (poda seca) ou no verão conhecida como poda verde. Para Tsuneta (1988), a poda verde não é muito recomendável, a não ser em casos de desbaste de ramos e eliminação de rebentos.
Os cortes nas plantas não devem causar alterações bruscas no desenvolvimento natural dos ramos. Assim como, o sistema de condução planejado para as plantas não deve ser modificado bruscamente durante a vida útil do pomar.
- Redução planejada da altura das plantas;
- Eliminar os ramos concorrentes;
- Eliminar os ramos ladrões durante o ciclo vegetativo;
- Encurtamento gradual dos ramos produtivos quando longos e envelhecidos;
- Para evitar o crescimento, fazer os cortes em gema de produção;
- Para favorecer o crescimento, despontar os ramos secundários e terciários (quando necessário, o desponte no terço superior induz lançamento fraco e no terço inferior induz lançamento forte).
7. Relação inversa entre o vigor e a produtividade da planta
O excesso de vegetação (crescimento) reduz a quantidade de frutos e o excesso de frutos é prejudicial à qualidade dos frutos. A poda visa estabelecer um equilíbrio entre esses extremos.
Referências Bibliográficas
EBERT, A.; RAASCH, Z.S. Condução da macieira em sistemas de baixa e alta densidade. Florianópolis: Empasc, 1988. 58p.
PEREIRA, A.J.; PETRI, J.L. Poda e condução da macieira. In: Epagri. A cultura da macieira, Florianópolis, 2006. p.391-418.
TSUNETA, M. Práticas culturais. In: IAPAR. A cultura da macieira no Paraná, Londrina, 1988. p.39-49.
José Masanori Katsurayama
Engenheiro Agrônomo – Pesquisador em Produção Vegetal. E-mail: masanori@epagri.sc.gov.br
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