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doce de maçã
polpa de 2 maçãs médias sem casca picada em cubos méd...
CRISE SETORIAL OU SETOR EM CRISE?
Após deflagrada a crise econômica mundial, onde os países injetaram verdadeiras fortunas no setor bancário, para evitar uma quebradeira geral, a expectativa era de que as coisas melhorassem na mesma velocidade com a qual foi feito o aporte de capital, e as economias voltassem a apresentar bons resultados. Não é o que estamos vendo. Os estragos causados demorarão ainda um certo tempo para serem consertados, e até lá muitas dificuldades por certo ocorrerão. A fruticultura, e em especial a maçã esteve no epicentro deste fenômeno. Ou seja, quando havia indícios de que algo estava para acontecer (final de 2008) nossos pomares estavam sendo preparados para a futura colheita, e todos aguardavam com expectativa normal os próximos acontecimentos. No mercado interno as coisas pareciam que nos seriam favoráveis e trariam bons resultados, o aumento do poder aquisitivo dos brasileiros é realidade palpável, e nada nos parecia mais justo que nossa atividade fosse beneficiada com esta melhoria. Porém as coisas nem sempre ocorrem como desejamos. Sabemos que o mercado interno brasileiro é um dos maiores em termos populacionais, mas encontra uma grande limitação na quantidade de pessoas que realmente consomem, seja por falta de hábitos alimentares diversos, ou seja, por falta de oportunidade de adquirir o produto ou mesmo por falta de poder aquisitivo. Estes itens afastam uma gama enorme de consumidores, o que também, em tese, impõe um limite estratégico ao volume de oferta, isto é, se ofertamos muito mais do que aquilo que o mercado absorve ocorrerá aviltamento de preços com a conseqüente defasagem entre custo de produção e preços ofertados aos consumidores causando prejuízos aos envolvidos com a atividade, sejam produtores ou embaladores. Sabemos também que as exportações de maçãs funcionam como uma válvula de alívio em relação a oferta de frutas e que quando não retiramos do mercado um volume razoável, este certamente ficará pressionando a oferta interna, momento em que as redes de varejo interno ¨deitam e rolam¨ e adquirem nosso produto pelo valor que bem entendem, pois sabem que necessitamos de capital, espaço para armazenagem, bins, etc, etc. Somando-se a isto, temos também a seguinte situação: como todos precisam vender a fruta, pois é impossível armazenar toda ela, nossos vendedores, a cada manhã, quando recebem as planilhas de produção sabem que terão uma árdua batalha pela frente, ou seja, comercializar um volume por um preço no mínimo razoável. Tarefa esta que não é das melhores, pois devido a nossa desorganização canibalística, saímos todos ao mesmo tempo ofertando enormes volumes, na maioria das vezes muito maior ao que o mercado consumidor poderia absorver, para entender melhor podemos dizer assim. Somos 20x de vendedores ofertando desesperadamente para 5x de compradores, e nesta briga sempre haverá algum esperto (mais apertado) que venderá por um preço ainda menor, na maioria das vezes muito abaixo do seu custo de produção trabalhando, portanto com prejuízos irrecuperáveis e comprometendo o seu resultado anual, porque mesmo na entre safra os preços jamais recuperarão o estrago ocorrido.
Somos conhecedores dos métodos avançados de produzir a campo, temos tecnologias das mais avançados, interagimos com o mundo todo ( Vacaria está realizando um seminário internacional por iniciativa privada - isto é fantástico pois parece que as coisas só acontecem se tiver setor público envolvido nas ações-) não estou afirmando que não estejam estes apoiando o evento, apenas faço referência ao incessante trabalho dos nossos técnicos e produtores no sentido de buscar sempre e sempre avanços tecnológicos. Igual desenvolvimento alcançamos na parte de frigoconservação. Adquirimos e dominamos as mais variadas tecnologias na conservação e refrigeração de frutas e já temos espaço suficiente para armazenagem garantindo ao consumidor oferta o ano todo de frutas de excelente qualidade e constancia na oferta. Se estamos bem na produção a campo, se estamos bem à nível de packing house e armazenagem, em qual parte da cadeia estamos muito mal? Não é muito difícil obter a resposta. Só resta a parte comercial que é o arremate final da atividade. E é exatamente ali onde estamos pecando, onde entregamos todo o nosso trabalho, todo o nosso comprometimento, sem uma remuneração justa, sem um preço adequado, e ultimamente com prejuízos, pois nem custos de produção estamos conseguindo obter. Em contrapartida, o mercado varejista continua operando nos mesmos preços de sempre, esta ¨baixa¨a nível de produtor não é aproveitada pelo consumidor final, ou seja, maçã é bom negócio, não para quem produz, mas sim para quem vende, sejam eles mercadistas ou atacadistas (e, diga-se de passagem, como maltratam a fruta no ponto de venda), pois para estes a fruta é apenas um item a mais nos seus produtos. Esta realidade precisa ser modificada em nome da sobrevivência da atividade. Pequenos ensaios estão sendo realizados. Outros países conseguiram organizar a área comercial e colocaram ordem nas coisas e hoje os benefícios desta organização estão sendo repassados aos envolvidos na atividade. Para que isto ocorra é imprescindível abrir mão do individualismo empresarial, necessitamos todos, pequenos, médios e grandes traçar um objetivo, uma meta a ser alcançada a qual será benéfica para todos. Não podemos mais olhar apenas para nosso umbigo, achando que dominaremos individualmente uma ou outra ação. A parte comercial é voraz, ela não dá margem para erros, ou nos organizamos e aproveitamos os benefícios deste fato ou continuaremos a pagar um alto preço pela falta dela.
Alceu Vieira Borges - Vice-presidente da AGAPOMI.
Veridiana Pelin Gonçalves
Márcio Eduardo Boeira Bueno
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