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Matéria destaque da edição 190 - Março/2010

  • A Fruticultura na Região da Emilia Romanha - Itália

  • GILMAR A. B. MARODIN1
    ADAMO DOMENICO ROMBOLÀ2
    JOSE COVARRUBIAS3
    1. Professor de Fruticultura - Faculdade de Agronomia UFRGS, Pós-doutorando do Dipartimento di Colture Arboree, Università di Bologna, Bolsista da CAPES, marodin@ufrgs.br
    2. Professor - Dipartimento di Colture Arboree, Università di Bologna, adamo,rombola@unibo.it
    3. Doutorando - Dipartimento di Colture Arboree, Università di Bologna, jcovarrubias@agrsci.unibo.it

    A região da Emilia Romanha é uma das mais desenvolvidas da Itália e com um dos maiores PIB de toda a Europa. Entre as 20 regiões italianas, em termos de superfície, coloca-se em sexto lugar, com 22.123 km2, entre os mais de 300 mil km2 de toda a Itália. Tem uma população de cerca de 4 milhões de habitantes e uma densidade de 180 hab|km2. A região localiza-se ao Norte da Itália, entre a Toscana e Marque ao sul e Lombardia e Vêneto ao norte (Figura 1). É uma das áreas de maior demanda de mão de obra do país, tendo cerca de 8% de imigrantes regulares na sua população, muito acima das outras regiões. Em 2008, o nível de desocupação foi o mais baixo em nível nacional (3,2% contra 6,8% da Itália), similar ao das províncias do Nordeste italiano (3,5%). Também é uma região de grande afluxo de intercâmbio de pesquisa e de ensino, com uma extensa lista de universidades, centros experimentais e empresas privadas de desenvolvimento tecnológico. Em Bolonha, por exemplo, localiza-se a Universidade de Bolonha, a mais antiga do mundo, com destaque na área agrícola para a Faculdade de Agronomia. É uma região de maior abertura comercial da Europa, tanto nas exportações como nas importações. A balança comercial da região em 2008 foi positiva, com 18 bilhões de Euros de saldo. O valor da agricultura alcança cerca de 3% do PIB, ainda positiva, mas que vem caindo nos últimos anos. Apresenta ampla experiência na Produção Integrada (PI) e biológica de produtos hortícolas. Para exemplificar, a PI vem sendo praticada há mais de 30 anos em diversas frutíferas e outros produtos hortícolas, tendo atingido quase 90% da produção de maçãs. Em 2007 o número de agricultores biológicos passava de 4.000.

    Figura 1. Mapa geral da Itália, com destaque para a Região da Emilia Romanha.

    Quanto à distribuição agrária, tem-se observado uma diminuição do número de propriedades e um aumento da sua superfície, com incremento de produtividade e melhor gerenciamento. De 1970 a 2000 o número de propriedades na Emília Romanha passou de 198 mil para 103 mil, com uma redução de 45%, chegando a 2007 com cerca de 82 mil propriedades, numa superfície cultivada de 1.052.000 ha (Tabela 1). A área média utilizada por produtor em 2000 na Emilia Romanha era de 10,8 ha, acima da média nacional que é de 6,1 ha, sendo que, em 2008 a área média por produtor subiu para 12,8 ha, ainda muito inferior a de outros países europeus, caso do Reino Unido 53, França 52, Alemanha 45 e Espanha com 23 ha. Caso de preocupação é que 48% das propriedades são gerenciadas por agricultores com mais de 65 anos e apenas 3% dos produtores tem menos de 35 anos. As mulheres gerenciavam 26% das propriedades em 2007. Os cultivos permanentes decresceram nos últimos anos: de 2000 a 2007 houve uma redução de 12%. Também nesse período, a ocupação do trabalho pelos agricultores `emiliano-romagnoli` decresceu sensivelmente, crescendo a ocupação extra-comunitária, principalmente nos setores hortícola e zootécnico. Esta característica obrigou aos fruticultores a buscarem novas alternativas de manejo, como na simplificação dos sistemas de manejo da poda, na condução, além do aumento da mecanização.

    Tabela 1. Número de propriedades, superfície agrícola total e utilizada na Emília Romanha entre os anos de 1970 a 2007.

    A Tabela 2 traz alguns dados gerais da produção frutícola da Itália. O país coloca-se com sexto produtor mundial de frutas, sendo, depois da China, o maior produtor de peras e de pêssegos e nectarinas. Observa-se que somente os cultivos de azeitonas e de uvas ultrapassam os 2 milhões de hectares. Nas frutas que temos mais interesse, destacam-se a macieira e o pessegueiro com mais de 50 mil ha cada, vindo a seguir a pereira com cerca de 38 mil ha. Nota-se que a produção de maçãs é o dobro da de pêssegos e o triplo da de pêra. Cabe destacar a significativa produção de nectarinas, predominante na Região da Emilia Romanha. A produção de maçãs da Itália é a quinta do mundo, sendo praticamente o dobro da brasileira. Exceto a cereja, que apresentou grandes variações, as demais tem variado pouco nos últimos dois anos. Sabe-se que a cerejeira é muito afetada por condições climáticas, caso de geadas e chuvas por ocasião da colheita.


    Tabela 2. Superfície e produção das principais frutas cultivadas na Itália e sua variação entre 2007 e 2008.

    A Tabela 3 traz os dados de produção da região da Emília Romanha, destacada neste artigo. Nota-se claramente a supremacia do cultivo da uva de vinho, capítulo a parte na Itália pela sua expressão. Quanto às frutas de consumo em fresco destaca-se a pêra, com produção superior as 500 mil toneladas nos anos de 2007 e 2008. Esta região é uma grande exportadora aos vizinhos países europeus, principalmente a Alemanha e Inglaterra. Também merece destaque o cultivo das frutas de caroço, principalmente os pêssegos e as nectarinas, somando mais de 30 mil há de cultivo e próximo das 500 mil toneladas de produção. Frutas de pequeno interesse no Brasil como a ameixa e o damasco tem áreas significativas. Já, o cultivo da maçã tem pouca expressão na região, sendo mais concentrada no extremo Norte do País. Fato a destacar é a pequena variação de área e produção nos últimos anos, mas sempre negativa, tanto em área como em produção. Na cultura da cereja outra vez aparecem dados muito contrastantes, devido às grandes variações climáticas, provavelmente.


    Tabela 3. Produção de frutas da Emília Romanha e sua variação entre os anos

    Trazendo algumas informações mais detalhadas aos produtores de pomáceas, constata-se que no caso da cultura da macieira, predominava na Região da Emília Romanha em 2008 o grupo Fuji (Figura 2), com 27% da área cultivada, seguido por Pink Lady, com 20% e Golden Delicious com 15% da área. Seguem as do grupo Gala com 10% e Red Delicious com 8% e, por fim Imperatore e Granny Smith, com 6% da área cada uma. Em 2007 cerca de 50% dos novos plantios foram do grupo Fuji e de Pink Lady.
    Quanto ao cultivo da pêra, em 2008, a Abate Fetel detinha cerca de 44% da área (Figuras 3 A e B), seguida da William´s com 21% e Conference com 13%. Com menor destaque aparecia a Decana (7%), Kaiser (7%), Max Red Bartlett (3%), Santa Maria e Passa Crassana (1%). Cerca de 13% dos plantios tem menos de 4 anos e existe uma tendência de redução no ritmo de plantio de 6% ao ano. Na Emilia Romanha os pomares de pêra estão concentrados em Modena e Ferrara, sendo que essa se caracterizada por cultivos muito intensivos. Outras regiões importantes, caso do Vêneto e do Piemonte tem situações similares, com previsão de redução nos investimentos em 2010. No Vêneto a Abate Fetel tem 39% da área e no Piemonte domina a William´s com 48% dos pomares.
    A variação dos preços em nível de produtor tem sido muito grande nos últimos anos. Para exemplificar, de 2007 para 2008 houve destaque para os valores obtidos pelas frutas de caroço e negativo para a cereja; quanto às pomáceas, a pêra teve destaque com melhores preços e acréscimos em 2008 (Tabela 4). Mas em 2009 os preços das frutas despencaram e praticamente não pagaram os custos de produção. As principais causas foram a recessão internacional, a redução de consumo interno de frutas pelas famílias, a queda nas exportações, a diminuição pela indústria de transformação e o crescimento da concorrência entre os países produtores, além do excesso de oferta em épocas conflitantes. Para exemplificar, o preço médio de um kg de pêssegos pago aos produtores em 2009 foi de € 0,20\kg, tipo standart, muito aquém do custo de produção. Este quadro é similar a de outras frutas, e traz grande preocupação no momento. Mesmo com uma cadeia muito bem organizada e baseada em cooperativas especializadas e centros de distribuição, a crise de 2008|2009 afetou seriamente o setor.

    Tabela 4. Variação de preços entre as principais frutas produzidas na Emília Romagna e sua variação entre 2007 e 2008.












    Figura 2. Pomar de macieiras Fuji na Estação Experimental de Cadriano – Università di Bologna, Itália



    Figura 3. A) Vista geral de um pomar de pereiras Abate Fetel na Fundação Navarra- Ferrara, Itália. B) Frutos de Abate Fetel.

    BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
    FANFANI, R. & PIERI, R. Il sistema agro-alimentare dell´Emilia-Romagna. 410p. Edittore Maggioli. 2008.
    MACHI, E. Le nuove tendenza per pero e melo al Nord. Rivista di Frutticoltura e di ortofloricoltura. 3:4-7. 2009.
    SANSAVINI, S. et. al. Innovazioni tecniche per migliorare l´efficienza produttiva e la qualitá dei frutti nelle coltivazioni intensive. Rivista di.Frutticoltura e di ortofloricoltura, 10:10-26. 2008.
    ISTITUTO NAZIONALE DI STATISTICA. In: HTTP: www.istat.it, visto em 01 de fevereiro de 2010.

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